Um aplicativo, um case e horas sem dormir

Mais uma terça-feira e em poucos dias você fica um ano mais velha. Parece que o tempo meio que congelou depois do terceiro chopp e você ainda sente-se embriagada. “Sinto sono”. Ai vem aquela ‘chuva’ de coisas na sua mente. E hoje, e amanhã, e depois? Aquela coisa que todo mundo pergunta pra dar um rótulo, um x, um talvez.

 “Gente, hoje é terça… Calma!”.

E passam-se dias, semanas e as coisas mudam ou não… E é isso o que cansa nos relacionamentos atuais, que considero que seja algo que nunca antes tenha sido visto, é aquela incerteza. Como posso competir com todos os tipos de “interação social” atual? Se você quer algo mais “duradouro”, como bater de frente com um Tinder, um WhatsApp e toda essa parnafenalha digital?

Não é tão mais simples e mais humano como antigamente. Lembro do meu primeiro namoro, Fernando. Ele tinha seus 15 anos e eu, meus 14. Andávamos de mãos dadas na escola, éramos os ‘queridinhos’ da 8ª série e as inúmeras declarações de amor eram feitas por cartas. Pode até ser que o ‘meio’ não justifique os ‘fins’, mas aquela coisa vivida antes mesmo da ascensão da internet não era tão vazia quando tínhamos somente um Orkut para lembrar.

Hoje pra conhecer uma pessoa, além de ter que “stalkear” ela nas redes sociais, você precisa aos poucos traçar sua personalidade de acordo com os aplicativos instalados no celular. Se é que você, um dia, irá se aproximar desse celular.

Ter em mãos o celular de outra pessoa é como se você tivesse o direito de pegar a chave do cinto de castidade e do coração. Todos os segredos, mentiras e incertezas, sem contar os aplicativos do banco e do e-mail, reunidas em um só lugar, são mais do que a vida da pessoa, é na realidade o aparelho que une ao coração. Que sábio diria que todas as pessoas dependeriam de um aparelho para sua sobrevivência?

Eu não sei mais o que é certo, errado, passado, presente ou até mesmo futuro. Não sei o quanto ‘antiquada’ eu me tornei em 6 meses, mas confesso que é mais engraçado do que ter o simples apelo do “mando uma mensagem ou espero ele vir falar comigo?”.

DEIXA EU FALAR COM VOCÊ! Quebrar todas as regras de convivência digital e dizer em alto e bom tom o que eu quero com você. Chega de entrelinhas, chega de mensagens subliminares ou indiretas musicais. Cadê aquele velho romance que eu li nos contos de fada? Má que cazzo, viu!

 

Tá passou a raiva, acalmei. Deixa terminar a instalação do meu Sistema Operacional, me deixa voltar para o meu trabalho, me deixa parar de rir com a ideia de abdução e deixa-me simplesmente voltar a acreditar no amor de infância, pois era a coisa mais imediatista, sincera e direta que eu já tive um dia.

2 comentários em “Um aplicativo, um case e horas sem dormir

  1. Sobre esse texto, li um livro que carrego para a vida. Quase meu livro de cabeceira. “Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

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    1. Vou anotar e com certeza, vou ler. Obrigada pela dica Ma.

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