Amanheceu.

Os três primeiros segundos te induzem, ao acordar, a virar e dormir por mais alguns minutos. Apalpo a cama. Te sinto. Há quanto tempo não sentia a sensação da sua proximidade?

Quando abro os olhos, você está lá, com aquele olhar de sono, ternura e aconchego. Você.

É verão. Estou na sua casa. Protelamos a viagem por meses, para conseguirmos o final de semana perfeito, mas você ficou tão gripado que a vontade é se enrolar nas cobertas e não sair dali por uns 6 meses. 6 anos.

Há quanto tempo estamos vivendo esse turbilhão de sentimentos? Parece que faz uma década, mas se tornou tudo tão intenso que já perdi a conta.

Parece que você está disposto a acordar e me levantar pra vida, mas talvez eu me iluda nessa com o seu famoso bom dia.

– Thais.

– João.

– Não é meio absurdo isso tudo?

– O quê?

– Nós dois!

– Por que você tá dizendo isso?

– Ah, porque é meio mágico ainda isso tudo pra mim, pra nós, não é?

– É?!

– É!

– Faz tempo tudo isso já amor…

– Mas, mas…

– Você tá melhor?

– To…

– Que foi?

– Nada, Thais… Nada…

– “Eu levo a sério mas você disfarça… Você me diz a beça e eu nessa de horror…”

– Ahn?

– João.

– Thais.

– O que é isso em você?

– Isso o que?

– Esse drama matinal…

– Ah Thais, sai daqui…

– Pão na chapa?

– Pode ser!

 

Levanto.

Aquela bagunça. Te xingo mentalmente enquanto tento ir pra cozinha sem me preocupar com as coisas jogadas na sala. Esqueci de ir no mercado. Preciso ir no mercado. Volto para o quarto e você voltou a dormir.

Me visto.

Parece que esse final de semana será longo.

Procuro as chaves do carro, procuro o documento do carro, procuro minha bolsa… Encontro no canto da sala, atrás do sofá, do lado do xBox.  “Como essa porra veio parar aqui?” me pergunto, enquanto pego tudo e lembro do seu remédio.

– João, toma.

– Ahn?

– Amor, pelo amor de Deus, facilita. Toma esse negócio, já venho.

– Tá…

Saio. Desço e cumprimento o porteiro.  Entro no carro. Dou partida. Vou pela orla. É um sábado lindo e me lembro, instantaneamente que nem escovei os dentes. Queria simplesmente te arrancar da cama. Te levar para a praia.

“Estamos no Rio, na cidade diurna. Se fosse pra ficar dormindo, ficava em casa… Em São Paulo…”.

Paro no farol. O telefone toca. DDD 11…

– Alô?

[… continua]

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