10, 9, 8…

O relógio desperta.

Demoro para me adaptar a claridade do quarto… Com a janela aberta, demoro também para lembrar onde estou e alguns segundos se passam. Me recordo de cada detalhe, da respiração entrecortada, dos sussurros, da promiscuidade. Meu corpo dói. Lembro do malabarismo, da disposição, das posições. Me recordo aos poucos de cada minuto, da intensidade do toque, do arrepio na pele. Lembro do desejo, do calor.

7, 6, 5…

Levanto. Me sento à beirada da cama e me espreguiço. Realmente, meu corpo dói… Mas é uma dor de cansaço, é uma dor de excesso de esforço físico. Sorrio. Vou até o banheiro, jogo uma água no rosto, me olho no espelho. A pele está claramente “boa”, independente da aparência do cabelo. Volto para a cama. Deito de bruços.

Cochilo…

4, 3, 2…

Você se aproxima com a mesma intensidade da noite anterior. Deita sob o meu corpo e sussurra um bom dia no meu ouvido direito. Finjo que durmo, que não sinto a diferença do seu calor e do seu peso.

Por dentro sorrio como se fosse o dia mais incrível. Me sinto uma criança com um brinquedo novo, mas aquele brinquedo esperado, querido. Aquele que se anseia por meses, até anos. A realização de algo doce, efêmero. Sorrio e você sorri de volta e, que sorriso – penso em seguida – e a troca incessante de olhares se permanece até você se aconchegar do meu lado, por debaixo dos lençóis. A cena é algo além do que eu poderia imaginar. Estou em seus braços para me sentir mais do que sua, me sinto completamente realizada. Não que eu não me sentisse antes, muito pelo contrário, mas existe uma satisfação pessoal só pelo mel prazer de você estar aqui.

Cafuné.

Enquanto você me aninha em seu colo, sinto seu cheiro e de forma involuntária me prendo a cada detalhe. O tom da sua pele, o cheiro dos seus dedos. O tamanho da unha, a simetria dos pêlos do seu braço. Olho e me prendo aos seus cílios, ao contorno dos seus lábios. Fixamente olho para suas marcas. Me viro de frente à você e beijo sua bochecha. Sinto o cheiro da sua respiração, da sua pele. Em meus lábios, o seu gosto.

1…

Quando percebo, já me encaixo em você e continuamos a fazer exatamente o que começamos, horas atrás, quando você abre a porta e me recebe da melhor maneira possível. Me abraça, me cheira, me sente. Me aperta em você e em cada parte do meu corpo. De alguma forma, tudo se torna real e isso é louco.

Insano. “Nunca esperei tanto.”

Me prometo – em alguma fração do tempo – nunca mais fazer promessas de esperar.

Mas sei, que em algum momento da minha vida, lembrarei da promessa e vou rir, com a doce recordação.

0…

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