precipício.

a gente não deve se precipitar. o amor é um precipício: quando a pessoa acha que está voando, talvez já esteja caindo.

Sentada na beirada da cama observava o que eu mais temia, a mim mesma. A infeliz mania da autossabotagem, meu boicote particular. 

Lembrava com entusiasmo a última vez que havia jogado vídeogame, andado por aí sem objetivo algum.
Ouvido uma música favorita, comido pipoca. Memorizava os latidos do meu cachorro, o sorriso dos meus pais. Sabia de cor telefones, CPFs e CEPs. Sabia também números de série, senhas de acesso e URLs de sites grotescos. 

Guardava recibos de cinema, de compras, notas fiscais. Acumulava nomes, telefones. Tinha uma caixa com dizeres, com frases, com cartas de 5, 10, 15 anos atrás…  Mas não conseguia me lembrar da última vez que havia me hipnotizado por alguém. Sorrido por alguém. Sofrido por alguém. Me jogado de paraquedas na vida de alguém…

Mas, bem, pensando bem… Talvez eu soubesse. Eu havia me tornado um cartão de visitas, ou apenas aquela pessoa que você gosta muito e vê poucas vezes na vida. Uma visita inesperada que trazia doces, um suco gostoso e ainda que se dispõe a fazer o café e lavar a louça. “Não quero dar trabalho” e desse jeito, deixei marcas, manias, sorrisos e abraços por ai. Uma infinidade… Em seguida? Desaparecia. 

Aquela visita que aparece, não deixa número de telefone ou endereço, mas que adorava te fazer rir e deixar saudades.

“Há quanto tempo mesmo que você não fala com ela? Nossa… Tão especial!”

Meu boicote particular! As minhas justificativas? Inúmeras! Guardo muitas nos bolsos para encontrar pretextos em mim, não nos outros. Não culpo as pessoas que não me estimulam a viver. Elas se esforçam, reconheço isso nelas… Mas não é o que me faz querer ficar. 

Isso faz de mim cruel? Não! Mas é que eu gosto de ficar sozinha. Andar e não ter que deitar a cabeça e pensar em alguém. É libertador músicas que não precisam ser direcionadas, que não possuem significados, significantes… 

“Que roupa eu ponho. Ele gosta de verde… Talvez…”

Não. Me desapeguei disso. Me desapeguei numa dose tão alta das pessoas, que me importo somente com os que se fazem presente da forma mais natural que eu posso lidar. Mantenho quem eu quero por perto e me faço presente quando tenho vontade. O que isso vai fazer de mim um dia? Não faço ideia. Espero a possibilidade de deixar pra trás muito mais do que eu tenho hoje, até mesmo o que eu não consigo imaginar que um dia eu possa ter. Me desprender. Menos é mais. Mais é me manter em alerta, sorridente. E o que vier? Lucro. 

E você? Que você seja uma boa dose de algo que me inspire a viver, antes mesmo que eu desapareça.

 

Um comentário em “precipício.

  1. Toda essa busca por auto conhecimento é bem válida. Bem válida mesmo.

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