Regressão

Já se passaram 24 ou 48 horas, não sei ao certo, como também não sei o que sentir.  São detalhes, minúcias, sorrisos. Era uma intensidade e uma obrigatoriedade de que fosse do jeito que você imaginava, que deixei de sentir qualquer coisa, só pra que você sentisse o que eu esperava que sentisse. Confuso. Mas não falo de sentimento propriamente dito, falo de tesão. Falo de palavras confusas e não ditas quando chegou a hora de ir embora. Eu queria fugir. Eu queria sair de lá como um ancião quer sair da missa ou da reunião de velhas que sua mulher realiza há exatos 45 anos. Eu queria fugir.

Em determinados momentos eu queria não ter que pensar, gostaria de não me preocupar com o mundo ao redor e eu poderia ter feito isso. Não sei o que eu fiz, mas eu fiz. Senti vontade, fui lá e fiz. Confesso que muito mais pela não obrigatoriedade de ligar no dia seguinte, pedir atenção em malditas mensagens de celular. Pela não responsabilidade de ter que estar com você.

Há meses fujo de minhas responsabilidades. Não sei. Tornou-se uma válvula de escape, já que não permito – e sei muito bem que sou eu – que ninguém me cause esse tipo de sentimento. De ser responsável ou querer ser responsável pelo sentimento de alguém. Logo, não penso nas pessoas. Se não for instantâneo, não me serve e descarto, como jogo uma folha no lixo. Maldita seja a forma de lidar com meus sentimentos.

Depois de um ano, ainda sinto falta de alguns momentos e lembro de situações que hoje, já não sei se realmente aconteceram ou eu imaginei que um dia aconteceria. Não que eu sinta ainda a falta dele, muito pelo contrário, vivo numa inconstante vontade de não ter que pensar em ninguém, depois de ouvir tanto a necessidade de ser egoísta, porém, ao mesmo tempo, sei de uma necessidade única e exclusivamente minha, de manter o equilíbrio em minha vida. Sinto tudo completamente desequilibrado. Não sei o que fazer pra mudar essa realidade!

 Voltando aquela noite, na nossa noite, já havia se passado tanto tempo, que mesmo estando ali, na sua frente, olhava para você e ficava completamente embasbacada. É ridiculo pensar que olhava seu sorriso e admirava? Não lembrava das covinhas que seu rosto fazia enquanto sorria e até mesmo o seu cuidado comigo, um cuidado que há tempos ninguém demonstrava, era meigo pra mim, puro afeto, carinhoso.

Pedi um táxi enquanto você dormia e me vesti. Por qual razão eu tinha parado no seu apartamento eu não fazia a menor ideia, mas havia muito mais um querer de não ter que fazer o que eu devia ter feito. 

… Nunca consegui descrever a sensação de liberdade quando sai da sua casa, com você ainda meio dormindo, sem entender o “por que” que eu tinha tanto que ir embora. Eu fui embora e cara, quantas vezes nessa vida eu já deveria ter ido embora sem pensar em ninguém somente em mim mesma? Teria sido muito diferente, muito.

É, eu fiz exatamente o que eu devia ter feito, sempre.

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