Não entendia direito o motivo dela ser assim. Existia uma frieza que a tornava mais atraente, mais misteriosa e mais ainda arenosa. Ela era areia entre meus dedos, era mais incerta do que o clima tempo e isso não me assustava.

Todo dia eu recebia um bom dia diferente dele, ele gostava dessa coisa de iniciar um assunto de forma aleatória. O shuffle das nossas conversas era o que mais me interessava. Por vezes me questionei se falava com ele todos os dias ou se dava espaço pra ele aparecer. Essa incerteza do que fazer me matava.

Hoje ela vestiu aquele vestido que eu gosto. O florido do nosso primeiro encontro. Lembro desse dia como lembro de todas as vezes que nos encontramos. Ela tinha um brilho próprio, um perfume diferente e seu sorriso era a coisa mais incrível que eu via. Nunca imaginei que ia reparar nas rugas do nariz quando ela fosse sorrir, as pequenas rugas. Era tão incerto que eu fosse ver aquele sorriso mais vezes, já que de uns tempos pra cá ela se mostrava triste. Tão triste.

Nos encontramos num café que eu gosto e ele me trouxe um livro. Tentei não transparecer que o livro era o meu favorito e que já tinha lido umas incontáveis vezes, mas o entusiasmo dele foi tão contagiante que guardei na bolsa e sem pensar tirei o selo de troca. De uns tempos pra cá ele se mostrava preocupado, sem saber ao certo o que era…  E se o livro significava tanto pra ele, eu ia guarda-lo. Não sabia o que teria dele pra mim, tudo era tão incerto.

Não nos falamos o dia inteiro e nem conversamos muito essa semana, também não tive o que dizer de bom dia, já que nunca fui muito de dizer bom dia pra alguém que só aparece quando eu chamo. Ela tá tão diferente, misteriosa, fria… Não gosto disso, não me sinto a vontade. Ela some e aparece. Parece areia em meus dedos e isso me preocupa tanto, mas tanto. Tudo sempre tão incerto que eu não sei mais o que é o certo na minha vida.

Ele não me dá mais bom dia, não liga e não responde de forma direta. Aparece com assuntos aleatórios e não diz o que pensa, sente, quer. Ele quer o espaço dele e vou permitir que ele tenha o que ele quiser. Assim… É mais certo do que incerto. Assim, ele vive a vida dele e eu sigo a minha, sem preocupações. Não vai ser isso que vai me matar.

Sem conversa. Sem um término  ou ponto final. Fim.

Ele se foi,como areia em meus dedos. Parece que o que é certo é somente o que se vai. Nos deixa. Assim como a certeza do fim de uma vida, de um filme, de uma música. Fim.

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