historiadores tentam explicar a mitologia por traz da história da torre de babel que se, por um acaso, nos basearmos nas grandes construções, como as pirâmides do egito, não faz sentido algum que ela desmorone. mas, quem mandou desafiar à deus?

certamente esse dia um dia iria chegar, já que o esperei inúmeras vezes de forma tão calorosa que a ironia hoje aponta para mim sentada na mesa da sala, olhando em meus olhos, bebericando seu café e sorrindo, aquele sorriso maldito ou aquele maldito sorriso de “eu te avisei”. 

se há tempos a minha postura seria diferente eu não sei. não faço a mínima ideia do que teria feito, das atitudes que teria tomado, mas sempre esperei por esse dia. o dia que riria de mim mesma por, de forma até poética, me ver nessa situação. 

assistindo pela milésima vez o mesmo filme, olho para a tela do celular esperando uma mensagem sua e ao mesmo tempo, rezando pra que ela não chegue. assim, faz mais sentido. assim, eu provo pra mim mesma (nas minhas inúmeras justificativas) que eu não posso ficar. 

preciso explicar que o não querer ficar, não é porque eu não quero estar com você, mas sim porque senti medo. medo de você não querer que eu fique. medo de você encontrar motivos melhores pra ir embora. medo. medo… meu medo nunca foi racional e pela primeira vez, depois de não sei quanto tempo, eu voltei a sentir. sentir algo que eu não tenho dimensão, mas sentir…da forma mais verdadeira que existe.

acordei cedo e corri, não sei por quanto tempo, mas quando me vi na rua de tênis e toda uniformizada para uma corrida no parque, me inspirei e fui. parecia que estava fugindo. quem me via, deveria pensar que o semblante dessa mulher que corre se assemelha aquelas cenas de filme que o personagem sai de madrugada para correr, de si mesmo, dos problemas, de alguém. eu fugia dos meus medos, mas sabia eu que eles estavam dentro de mim.

voltei e me senti revigorizada. aquela energia que se assemelha a dormir por 3 dias seguidos e sentir vontade de ficar mais 4 dias na rua. aquela energia de fazer algo valer a pena e se permitir que simplesmente se viva. aquela energia de contagiar todos ao redor e ao mesmo tempo, sentir vontade de resumir seu fim de semana em apenas algumas boas doses de alguma coisa, como por exemplo, dormir. 

pra quem eu estava mentindo?

nesse exato instante, ela estava sentada à mesa me olhando e sorrindo. ah ‘ironia’ como eu odeio você. lembrei de todas as vezes que disse que isso um dia aconteceria, mas em parte, eu já havia me preparado pra ele, não é mesmo? já saberia que esse dia iria chegar, como todos aqueles que se foram e no final, me via sozinha, numa sexta-feira qualquer.

“olá. eu te avisei, quantas vezes, não é mesmo?”

‘não importa!’

“será mesmo que não importa? será mesmo que sua vontade não é fazer algo diferente ao invés de se camuflar nessa sua imparcialidade, nessa sua vontade de simplesmente ir embora? será que a sua vontade não é a de fugir por ai mas acompanhada? será que…”

‘ não! para. liberdade todos tem, não é? todos precisam ir e vir, ninguém precisa dessa dependência e nem da vontade de estar junto a todo momento. ninguém precisa dessa falsa moral sua de jogar na minha cara o que eu tenho medo. eu tenho medo e é meu…’

“então diga, qual o seu medo! o que você tanto esconde…”

‘ não preciso, você já sabe…’

“mas e as pessoas ao seu redor, sabem?”

‘não!’

“e você, sabe?”

‘sei… só não consigo pronunciar.’

“quer que eu fique e te ajude a lidar com isso?”

‘…’

“ótimo. você sabe como me procurar…”

e desde então, aos poucos me sufoco e não consigo nem chamá-la e nem dizer em voz alta o que tanto me assombra, sem sentir a sensação que sou uma granada, que vou explodir e não sei como depois encaixar todos os pequenos pedaços, dos que me restam… de tantas explosões, as implosões são as piores, isso eu te garanto.

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