– Para entender tudo, é preciso esquecer tudo.
Ensinamento Budista.

faz tempo que busco todas as palavras que possam deixar claro que minhas intenções são as melhores possíveis, sem aquela complexabilidade que costumo usar quando quero dizer alguma coisa (já tornando tudo isso suficientemente complexo).

naquele dia que cantamos juntos músicas bonitas, voz e violão, num domingo que não exigia muito, nem de mim e muito menos de você, eu havia designado algumas tarefas pessoais, como te fazer sorrir e andar de bicicleta no parque.  

andar de bicicleta é mais fácil!

ainda não sei andar de bicicleta e muito menos dirigir. por hora, não sei diferenciar direita e esquerda, me confundo sempre que pedem informação na rua e ainda, não aprendi a cantar direito e adequar o tom da minha voz. falta também começar a falar francês e italiano. melhorar o meu inglês. um emprego melhor? talvez. um lugar melhor pra morar? com certeza. às vezes falta viajar pelo mundo, conhecer Toscana, na Itália e talvez Cuba. dizem que as praias de Cuba são belíssimas. 

eu não queria muito, era um dueto e meu tom se adequava com as notas que saíam do seu violão. mas te fazer sorrir deixou de ser uma prioridade. busquei guardar dinheiro, comprar uma bolsa nova, inovar no corte de cabelo. e… a dar tchau com menos frequência, já que ir embora se tornou uma alternativa. nada complexo, só queria deixar de fazer parte de algo que, por vezes você me inteirava e outrora me deixava. confuso, não é mesmo? 

você às vezes vinha montado num cavalo branco usando sua roupa de príncipe. um sonho de menina que deixava de sonhar quando você abria seus segredos e se tornava um mago, com seus feitiços que me cegavam. eu acreditava que você fosse querer ficar, que mesmo me dizendo tanto não abriria mão de sorrir comigo. mas, você havia se tornado tão sério que ficar séria e olhar para o nada passou a ser normal. o meu normal é muito mais do que rir, é fazer meus olhos brilharem.

ando como um cometa, rápida! e com aquela necessidade de olhar para tudo e todos enquanto busco algo que me fixe o olhar. você conseguia isso, que eu te olhasse com admiração. onde ela mesmo foi parar? eu mudei aos poucos, ou voltei a ser exatamente o que eu era. quando as pessoas despertam o meu melhor, é um processo como vivemos em nosso ‘universo’. na ciência existe expansão. me expandi a ponto de estar disposta a sentir por você o que antes eu não sentia. quantas vezes achei possível querer te amar? 

a retração, como definida no dicionário “Física. Contração que, apresentada em determinados corpos, pode ser ocasionada por resfriamento etc; retraimento.” esfriou. não que fossemos quentes, nem mornos. mas a febre subia, aumentava, crescia com a convivência, no dia a dia. pegue um balde de gelo, jogue na cabeça de alguém ou em sí mesmo, foi assim que me senti. enfriou.

faz tempo que busco todas as palavras que consigam traduzir o que senti com o nosso dueto. mas como toda dupla, a nossa chegou ao fim. espero que agora, ao invés de cantar eu saiba dançar e tirar os pés do chão, com ou sem par.

meu show solo pode ter platéia e sem nenhum ponto final, ele só vai depender de mim agora.

 

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