Como eu te enxergo e você não me vê? Como eu sinto o seu perfume e você não esboça nenhuma reação com a mísera proximidade minha? Não me olha, não me nota, não me nada… E dia após dia eu me sinto sumindo, desaparecendo, me encolhendo, me diminuindo…

Vai além da minha compreensão isso que se tornou. É uma ânsia e um enjoo que gostaria que passassem. Não há remédio que cure e nem antidoto para esse mal. Busquei tanto ser o mais flexível, não julgar ou não pensar, que da última vez que você se deu o trabalho de dizer uma palavra que fosse, me esforcei pra acreditar que não fosse a última. Como é ser assim? Perder o significado mais uma vez, cometer o erro mais uma vez, me enganar e me iludir mais uma vez? E essas últimas questões não são para você, são para mim.

Estou em uma constante onde vejo minha psicanalista dizendo “está tudo bem?” e me desabo a chorar. Uma hora cansa! Eu sabia que essa hora ia chegar. Vai além da minha imaginação os últimos meses e tudo que tenho passado, o que não deixa de ser passado. Supera meu narcisismo, meu medo de me isolar do mundo e de ficar só. Meu isolamento não tem mais voz e nem minhas inseguranças. Eu simplesmente deixei de sentir paixão por tudo que me rodeia, só por não querer mais me apaixonar.

Me olho no espelho e penso “o que é que você não vê?” e não consigo pensar em uma justificativa pra que você simplesmente mude e esqueça de cada milésimo de segundo que passamos juntos. Que bons momentos foram! Não sinto nenhuma vontade de apagá-los e me vejo presa neles tantas e tantas vezes que até me dá saudade. Saudade… Maldita palavra intraduzível que só consegue expressar o que eu sinto por você. Todo dia, toda hora. Por ter me aberto tanto, antes mesmo que segurar sua mão, sinto saudade de poder falar pra você do meu dia, da minha rotina, das minhas piadas. Parece que faz tanto tempo e ao mesmo tempo, sinto que foi ontem que você disse que não dava mais.

Sinto muito e sinto tanto, mas tanto, que em alguns momentos eu não queria sentir e prometo, essa é a última vez que escrevo sobre você, sobre nós. Perdeu esse sentido também, já que sou invisível, nada deve existir.

…Eu pude perceber que a vida frequentemente se resumia em uma eterna tentativa de forçar o outro a nos amar, e que podemos desperdiçar uma vida inteira nessa busca inútil. 

Sri Prem Baba

 

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