O último que sair, feche a porta, por favor!

Me ligaram uma, duas, três, vinte e sete vezes… E eu só deixava que o telefone tocasse sem parar enquanto bebericava uma, duas ou três cervejas, em paz, no meu canto sem me perturbar mais com a sua presença.

Você estava em todo e qualquer lugar, na praia, no campo, no shopping ou no ponto de ônibus. Quando eu entrava no banho, quando eu corria pela praia, na minha caminhada matinal ou nas aulas de Yoga. Você estava quando eu menos esperava, quando eu mais esperava, quando eu menos queria e ansiava. Queria que você fosse embora, você insistia em ficar!

Independente de quem estivesse do meu lado, você estava lá mas toda vez que te procurava, fugia como quem não quer mais voltar. Eu soube lidar, uma, duas ou até mesmo vinte e sete vezes, como naquele sábado que investi tempo e paciência em um encontro casual que envolveu poucas palavras, muitos beijos e nem um pouco de bom senso. Me perdi nos braços de outro alguém, já que você estava ocupado demais em ser menos do que um mero figurante. Me permiti ser desejada, quando você só se dava o trabalho de aparecer como quem de surpresa pega uma gripe e curte um resfriado por uns três ou quatro dias, nada a mais. Estava cansada de saber lidar e por mais que tivesse escolhido isso não havia escolhido o fato de que quanto mais o tempo passava, mais você ficava, ficava… Ficava dentro de mim.

E era a sensação de você dentro de mim, de você fazendo parte dos meus dias, com as inúmeras conversas em frente ao espelho, com a terapeuta, com a quem fosse, me fez ter a certeza de que eu precisava viver, me permitir, me entregar.

Já havia cansado e calejado o suficiente pra entender que era de mim que eu precisava.

De todas as formas que você poderia ficar, eu preferi que você pegasse suas coisas e se fosse. Deixei de acreditar que as pessoas mudam, ficam, escolhem, decidem. Você não era uma delas e as cobranças desnecessárias baseadas nas minhas expectativas fizeram você ficar. Chega, pode ir embora, limpe os pés no tapete da porta e a tranque. Por um bom tempo, não vou deixar ninguém entrar!

Um comentário em “O último que sair, feche a porta, por favor!

  1. Adorei seu blog, é impressionante a capacidade que tu tem de exprimir tanto sentimento em tão poucas linhas, uau!

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