Singular.

Existe um sentimento que não é nomeável. Nem se traduz. É aquele sentimento que se esbarra na gente numa esquina, voltando da academia, depois de três séries de supino bi-articulado reto e agachamento com salto duplo carpado na diagonal que te faz andar de um jeito engraçado. É uma sensação de euforia, dor na boca do estômago, suor e que te faz pensar o quanto está morto e não quer voltar pra academia no dia seguinte. Onde já se viu pagar para sofrer?

Existe um sentimento que por vezes você carrega no peito, no bolso, na sacola de mão até que vem um delinquente e ameaça pegar sua sacola na 25 de março, você não entende muito bem o porquê e empurra ele. Segue com suas muambas e seu sentimento até sua casa. Rindo de nervoso. Bendito acaso.

Ele tá com você na hora de acordar, no banho, no ônibus atrasado, na reunião chata de entrega de resultados que muitas vezes parece que não acaba nunca. E naquele comentário do seu colega que faz piadas preconceituosas e você não aceita muito bem, mas sorri de forma sem graça. O sentimento segue seu caminho com você na hora do café, no banheiro, no restaurante por quilo que a atendente insiste em querer saber qual empresa você trabalha e se têm vagas em aberto.

Ele te acorda no meio da noite, no meio de um sonho. Você pensa em voltar pra terapia. Sair mais com os amigos. Você sente como se aquilo te esgotasse e te sufocasse. O sentimento é um stalker, um cretino, um ser de outro mundo que te assombra até quando está terminando de se arrumar em frente ao espelho. O sentimento é uma música, um cheiro, um restaurante, uma viagem, um abraço, um nome.

Você corre e faz exercícios e ele está lá. Você trabalha 8, 9, 10 e até 12 horas e ele se mantém, intacto. Sereno. Ele se personifica. Ganha cabelos, unhas, dentes, olhos e ele passa a respirar o seu ar. Ele passa a viver a sua vida. Ele toma conta de você. O sentimento ganha não somente nome, como sobrenome, endereço, CPF e título de eleitor. O sentimento passa a seguir você na rua e na fazenda, até numa casinha de sapê. Quando você embarca em um avião, ele já tem passaporte e senta do seu lado.

Você desiste.

Olha pra ele e questiona “quem é, o que quer, o que esperar de você?” e ele só diz: “está tudo bem, eu só me chamo Saudade!”

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